O Toré Fulni-ô

O toré é a considerada principal das manifestações culturais da etnia fulni-ô, pois relata em sí, todas as abrangêcias necessárias. A começar pelo artístico: danças em coreografia e cânticos com entoação; linguístico: o toré para ser bem cantado exige aglutinações e ritmos próprios do Yaathe(língua materna de Fulni-ô), religioso: celebrações ritualísticas especiais entidades sociais ou religiosas, mantêm o sigilo em termo histórico; cotidiano: festejos e trabalho tembém são realizados com o toré.
Tolê é a palavra toré passada ao estilo dos Fulni-ô, tal nome fora dado ainda pelos colonizadores por comparar ao instrumento típico de cultos africanos, sendo este em forma de flauta. O búzio, ou seja, o toré é feito por facheiro(cacto da caatinga), capim de flecha e cera de abelha, se veste com panos de baêta e palha de olho.
O maracá é feito de cabaça e sementes de meiru, os maracazeiros tocam enquanto os torezeiros dançam com coreagrafias inpiradas na fauna regional convidando as dams de uma a uma ou de duas em duas.
Os torezeiros são os anfitriõs do espetáculo, estes deixam de dançar somente depois da coreografia da sua última dama ou parelha de damas.
O toré tem uma quantidade não exata mas sim normativa, pois não se dança apenas um torezeiro, podendo os maracás ser tocado por um ou por dois, jamais por três. As damas do toré não pode ultrapassar de oito, também não pode ser menos que quatro.
Todos devem estar de pés descalços e as mulheres com sais abaixo do joelho, pois enquanto movimentam a mão direita gesticulando como saudação aos espectadores, amão esquerda deve estar segurando saia em símbolo da discrição feminina.
O toré é próprio do Fulni-ô, sua cantiga não cifra letras, mas há uma linguagem artística e religiosa durante a sua apresentação, ele tem o poder de envolver que o aprecia, visando neste apresso as vozes dos maracazeiros e das damas, o som ímpar dos búzios e os passos definitivamente iguais dos torezeiros.
O toré é juntamnete à lingua maiores identidades do povo Fulni-ô.

Texto de Awassury Araújo de Sá.




ouça um pouco do toré Fulni-ô


Os Índios Fulni-ô

Os índios da tribo Fulni-ô vivem no município de Águas Belas, em Pernambuco numa aldeia de 11.500 hectares, localizada a 500 metros da sede da cidade. Sua população é de aproximadamente 3.600 índios.
Eram conhecidos, antigamente, como Carijós ou Carnijós e não se conhece o tempo da sua existência.
A origem do nome Fulni-ô é muito antiga. Significa "povo da beira do rio" e está relacionada com o rio Fulni-ô que corre ao longo da aldeia de Águas Belas.
Os índios têm convívio diário com os não-índios, por conta disso, a Escola Bilíngue Antônio José Moreira trabalha para que a cultura Fulni-ô não desapareça, como várias outras culturas indígenas desapareceram, pelo mesmo motivo.
A tribo Fulni-ô tem o toré, como dança tradicional, onde é composto por um grupo de 2 tocadores do toré (búzos), 2 ou 1 homem(s), que cantam e balançam o maracá, e 8 ou 6 mulheres, onde dançam e cantam, emocionando a todos que os ouvem e verem. A cafurna dança também dos Fulni-ô é composta por casais que seguem o primeiro homem e repondem aos cânticos que o mesmo inicia. O coco, que está presente principalmente no mês junino, onde pode ser dançado com o Ganzá (chocalho de forma cilíndrica), ou a zabumba.
O caléndário das festividades da Aldeia Fulni-ô inicia-se em Fevereiro com a Festa da Aldeia em Louvor a Nossa Senhora da Conceição.
Em Abril os índios iniciam suas viagens para se apresentarem em outros lugares, como forma de subsistência, onde vendem seus artesanatos e apresentam sua cultura. Aos índios que permanecem na Aldeia comemoram com apresentações culturais.
Em Maio há uma mobilização na Aldeia para o dia das Mães.
Em Junho, é uma das épocas mais esperadas pelos índios da Aldeia, pelos festejos Juninos que ocorrem na Aldeia onde há as quadrilhas, as festas e bailes, o samba de coco e outros festejos.
Em Setembro, inicia o retírio dos índios para o Ouricuri onde ficam 3 meses. Praticando seus rituais religiosos.
O Fim do ano é marcado pela confraternização da Aldeia.

Fotos:







Ouça um pouco do Toré Fulni-ô nesta amostra.









Membros da Escola




Apresento com orgulho, toda a obra que idealizei, mas não teria conseguido sem algumas pessoas, que lutaram junto comigo. Esta aí as pessoas que estão hoje na Escola Bilíngue Antônio José Moreira, preservando a cultura da raça indígena Fulni-ô.


Marilena Araújo (Wadjá)

Awassury Araújo
Itamar Araújo
Márcio Sá
Ubirânia Araújo

Andréa Araújo


Ediraldo Ferreira

Idiarrury Araújo

Dalvani Ribeiro



José Cunha

Eva Luna


Gildo Caetano




Mª Luiza
Marizélia

Zane Ribeiro
Joventino Araújo


Ita Ribeiro

A Quadrilha Tradicional da Escola Bilíngue Antônio José Moreira

História da Quadrilha
A Quadrilha surgiu quando a escola percebeu que no mês de São João, os velhos não participavam das festividades, por serem velhos ficavam incomodados de festejar com os jovens. Daí surgiu a idéia de se fazer uma quadrilha somente para os velhos. E no dia 25 de Junho de 2000, a chamada "Quadrilha dos Velhos" foi às ruas da aldeia Fulni-ô onde foi admirada e elogiada por vários índios e sendo repetida no São Pedro, onde os velhos retornaram a juventude e de uma forma renasceram. Além de conscientizar a preservação da cultura nordestina a escola incluiu também na programação de todas as quadrilhas a dança cafurna e o coco fulni-ô que são dançados no mês junino.




Após o ano 2000 por falta de recursos a quadrilha não foi feita no ano de 2001, como fora planejado.
Veja abaixo as fotos da Quadrilha do ano 2000


Quem Reconheceu a índia Mariquinha nesse dia?







Quadrilha Tradicional do ano 2002

A quadrilha do ano 2002 foi incrementada pela escola com a rainha do milho e o casamento matuto que não deixaram de divertir todos que os viam.

Veja abaixo as fotos da quadrilha de 2002.


sinjêi e volvêi!!!!





Segura Marilena!!!


Vamos para as Ruas!!!




Com vocês as Madrinhas Eulina, Mariquinha, Marilena (como Mª Bonita) e a Rainha do Milho Lourença.




Casal Matuto Cleonice e Euclides.

Apresentando as Damas!!!

Olha o coco!!!

Pisando com gosto!!!



Rainha do Milho (Lourença), Noiva (Cleonice), Marinha 1 (Eulina) e Madrinha 2 (Mariquinha) animando o Forró.

Marilena e Euclides

Mariquinha e Euclides

"O torézinho"

O toré é a dança tradicional dos índios Fulni-ô. Antigamente ela só era dançada pelos mais velhos. A escola bilíngue preocupando-se com a dança, resgatou-a pelos jovens, houve uma conscientização e conseguiram formar um grupo. Hoje vários alunos da escola, já sabem dançar o toré, onde substituem os dançarinos ausentes, para que no futuro substituam os mais velhos.
O Grupo, mesmo depois dessa evolução, ainda está em processo de desenvolvimento.
O Grupo foi nomeado pela escola de "torézinho", por ser composto apenas por jovens. Onde manteêm firme a esperança da preservação da raça Fulni-ô.
Além do Toré o grupo também cantam o coco e a cafurna
Assista essa amostra de vídeo com o toré da Escola Bilíngue
Ouça essa amostra de áudio com a cafurna dos índios Fulni-ô cantada pelo grupo

Ouça essa amostra de áudio com o coco Fulni-ô cantado pelo grupo

Biografia da Profª Marilena Araújo (Wadjá)

Marilena Araújo de Sá ou Wadjá (Siriema) nasceu em Águas Belas, na sua aldeia, no dia 17 de Dezembro de 1955. Índia Fulni-ô, quando criança enfrentou grandes dificuldades como: o preconceito e a discriminação. Lutou contra a pobreza desde criança, sempre sonhou em ser professora, realizou este sonho em 1977 quando conclui o magistério. Criou a Escola Bilíngüe Antônio José Moreira, que ensina aos alunos a preservar a sua cultura. Criou o alfabeto na língua e publicou Se Ktshalène Khlehene a primeira cartilha em Yaathe (língua dos índios Fulni-ô). Sempre se preocupou com a cultura do seu povo que está quase extinta, pois são poucos os falantes e cumpridores da tradição indígena. Em 1996 tornou-se conselheira de cultura do Estado de Pernambuco. Atualmente ela luta para a preservação da língua e cultura da tribo Fulni-ô.